EXPLICAÇÃO PRÉVIA

Percorrendo as páginas da Internet, não há como deixar de reconhecer os benefícios proporcionados pelas ricas informações e dados que nos fornecem, com notícias várias sobre pessoas e instituições, e com a mais ampla divulgação de escritos de inúmeros professores e pesquisadores dedicados ao estudo das mais diversas ciências, entre as quais as ciências da linguagem, objeto das nossas investigações especiais.

Porém, por outro lado, fazendo a análise do que tem sido publicado, não podemos deixar de manifestar a nossa preocupação em relação principalmente ao que se lê em artigos de vários autores, alguns com altos títulos universitários, onde com aparente segurança e muita desenvoltura se fazem afirmações e avaliações críticas da história e das atividades no vasto campo de conhecimentos filológicos do nosso particular interesse.  São trabalhos em que a imprecisão dos dados apresentados, a não identificação das fontes de que se utilizaram os autores, e – mais grave ainda – a omissão de nomes e de obras da maior importância, ou o pouco caso com que são citados, revelam espantosa ignorância, pretensão ou má-fé, e a estulta e tão lamentável veleidade de superá-los, como se fosse obrigação nossa de cada dia a de acrescentar novidades ou revelações originais ao acervo de conhecimentos acumulados ao longo dos anos.

Aprendemos com os grandes mestres que foram os professores Sousa da Silveira, Gládstone Chaves de Melo, Serafim da Silva Neto e Matoso Câmara Júnior, em prolongados contatos pessoais ou através dos seus escritos, que entre as primeiras virtudes a serem cultivadas pelos bons pesquisadores devem estar a humildade e a probidade científica, que não nos deixam entrar na corrida armamentista para suplantar as grandes conquistas do passado com manifestações do desconhecimento de coisas essenciais e o desprezo ou a crítica injusta e anacrônica ao que foi feito em condições tão precárias e tão diferentes das atuais.

Nessa linha de pensamento, retoma a Sociedade Sousa da Silveira as suas atividades, atenta à sábia advertência de Machado de Assis: “Nem tudo tinham os antigos, nem tudo temos os modernos: com os haveres de uns e de outros é que se enriquece o pecúlio comum”.  Portanto, anima-nos uma atitude de reverência ao passado, de crítica ao que se fez, mas no mais nobre sentido da palavra, e ao mesmo tempo um empenho de acompanhar os grandes avanços das ciências em nossos dias e de incorporar as suas conquistas ao patrimônio conservado em tantos séculos de civilização.

Fazemos pois esta convocação para que mais uma vez nos associemos ao trabalho de valorizar o estudo e o ensino das ciências da linguagem – entre as quais com especial destaque a Crítica Textual, que quase não tem espaço próprio no ensino universitário e, pois, o reconhecimento de que deveria ser matéria básica no currículo de numerosas instituições de ensino superior de Letras, História e Biblioteconomia, no Brasil e no estrangeiro.

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